quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A influência do cinema no mundo da moda

É sabido que o cinema e a moda andam, muitas vezes, de mãos dadas.

A história diz-nos que há vários actores e actrizes que sempre ditaram tendências. O site Vipventa.com elaborou uma lista com os 10 actores e actrizes mais influentes no mundo da moda.
A saber:

James Dean: o actor personificou a rebeldia e o fim da inocência. Tornou-se célebre pelo look conseguido com o casaco de couro coordenado com a camisa branca e as calças de vaqueiro acompanhadas de uma atitude desafiadora perante a vida.
Grace Kelly: é um dos ícones de sempre da beleza. Investia nos tons pastéis, cabelos bem cuidados e adorava pérolas. Ainda hoje é fonte de inspiração de alguns criadores.
Marlon Brando: o look selvagem era conseguido à base de uma camisa metida por dentro das calças. O casaco de couro completava o look.
Audrey Hepburn: considerada um ícone universal da elegância protagonizou campanhas de diferente marcas. Ficou conhecida pelos vestidos pretos sem mangas, colares de pérolas e sofisticados óculos de sol.
Brigitte Bardot: uma das actrizes que popularizou as leggings e apostou na cintura vincada. Gostava de estampados pele de tigre, saias vaporosos e chapeús de palha amarrados com um lenço.
Johnny Depp: conhecido pelo look despojado não prescinde dos óculos escuros, uma das suas imagens de marca
Nicole Kidman:
célebre pelos vestidos de noite em tons preto, branco e azul, passa a mensagem de um look delicado, mas sofisticado
Richard Gere: é a prova viva de que se consegue ser sexy mesmo aos 50 anos. Os cabelos grisalhos são a imagem de marca do actor.
Penélope Cruz: dona de uma beleza ímpar, tem um look muito feminino, mesmo que vista um taillleur masculino. Os vestidos cai-cai são os preferidos da actriz que não dispensa camisas marca Chloé e calças de cachemira.
Marilyn Monroe: é ícone de beleza de todos os tempos. Esta loira foi a responsável pela definição das medidas ideias: 90-60-90. Soube pôr a render, como ninguém, todos os seus atributos. Adepta de peles e jóias.

Clique e veja dos actores e actrizes que ditaram e continuam a ditar tendências

http://www.modaesocial.iol.pt/galerias.php?div_id=2454&art_id=1079025

Fonte: http://diario.iol.pt/moda-e-social/moda-cinema/1079025-4061.html

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Verdades sobre o ritual de ir ao cinema

A INFLUÊNCIA DO CINEMA

Este é um artigo que visa tentar explicar a influência que o “local cinema” pode ter na vida do indivíduo, relacionado a questões em sua espiritualidade, sua mente, seu comportamento e aspectos fisiológicos.

Este estudo não tem como intenção mostrar quais filmes são indicados ou não para serem assistidos ou se somente os filmes devem ser assistidos em casa (existem parâmetros bem definidos para isto na Bíblia, onde alguns textos de referência estão no final deste artigo).

O autor.


ASPECTOS PSICOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS:

1) RITUAL RELIGIOSO

Seja do ponto de vista evolucionista ou criacionista, sabe-se que o ser humano sempre teve a necessidade de adorar alguma coisa, algo, em algum lugar e vemos isso presente em todos os tempos, locais e culturas.
Em termos de Semiótica e da Psicologia da Comunicação, é sabido que o ato de ir ao cinema é um "ritual religioso", por meio de uma representação dirigista e que o Cinema (o local) é comparado a um templo. Ou seja, pessoas desconhecidas de diversos pontos se convergem em um único ponto, em um lugar especial, específico (coisas especiais se fazem em lugares importantes) para "venerarem" algo, alguém.
Abaixo, um texto do livro "Televisão Subliminar - Socializando através de comunicações despercebidas". Artmed - 1998, de Joan Ferrés (professor da Universidade de Barcelona, pesquisador e pedagogo especialista na área de Mídia):

"Não é estranho que Hollywood fosse comparada com Meca e que os cinemas fossem comparados com os templos. Em todos estes contextos, os espectadores se abrem para a revelação que lhes é dada, acolhem em atitude de êxtase a força sagrada, veneram com devoção a seus deuses e deusas, recebem com fé mensagens que conferem um sentido a suas vidas e acolhem com reverência os modelos de vida que lhes impõem.
É desta forte conexão com a emoção e com o inconsciente que as imagens incidem nas crenças e nos comportamentos, são reguladoras da conduta, veículos privilegiados para a implantação de modelos de vida."


IMPLICAÇÕES - O indivíduo que vai o cinema, intrinsecamente estará preenchendo sua necessidade de adorar alguma coisa em algum lugar e como conseqüência, porque ele sentiria então a necessidade de adorar a Deus na igreja? Ele poderá estar perdendo esse desejo ou diminuindo ele, paulatinamente, com algo muito mais "excitante" aos seus sentidos.


2) DEUSES, ASTROS E ÍDOLOS

Outro aspecto "espiritual" do ato de ir ao Cinema é a referência com "astros, deuses e ídolos" do cinema, comumente utilizados, onde muitas vezes o indivíduo não vai ao Cinema por causa do filme, mas sim por causa do ator/atriz que ele tanto admira. Prova disso, são frases do tipo "você já viu o novo filme do fulano/fulana....?", servindo como referência o ídolo do cinema e não o filme, ou seja, o ator é a referência para que se vá assistir ao filme. Novamente, uma analogia com aspectos religiosos, no ato de ir ao cinema.

IMPLICAÇÕES - Novamente, a "concorrência" que tais ídolos, deuses e astros do cinema estariam fazendo ao preencherem a busca de um referencial, algo inerente ao ser humano, sendo que o verdadeiro, Jesus, estaria sendo suprimido, perdendo espaço na adoração, na mente e tempo do indivíduo que vai ao cinema.


3) SUSPENSÃO DA REALIDADE OU CREDIBILIDADE

Ao adentrar em um ambiente fantasioso, que gera toda uma expectativa, o indivíduo deixa fora a sua realidade e se permite sonhar, esquecer todo o seu cotidiano, esquece o que rege a sua vida, seus princípios, do que é louvável ou não, do padrão do certo ou errado, fica envolvido. Quer esquecer a realidade e viver o filme. Joan Ferrés em seu livro, diz: “O espectador esquece os cabos que sustentam o Superman e as transparências que animam seu vôo porque necessita sonhar com a superação das limitações que lhe atam a uma realidade medíocre e cinzenta”. (itálico acrescentado).

IMPLICAÇÕES - Quando se vai a um ambiente onde fica "de fora" e se esquece toda a realidade, a mente ficará "aberta" a novas mensagens apresentadas de modo intenso, porque a noção do "certo e errado" estará sendo em muito diminuída.


4) INTERAÇÃO SOCIAL

O indivíduo vai ao cinema e está também interagindo com os demais "adoradores", estão partilhando do mesmo ideal, pois não existe Cinema sem existirem pessoas, pois seria totalmente desconfortável estar numa sala de cinema e ter meia dúzia de gatos pingados. Desde coisas simples, como onde sentar, quem sentará ao meu lado, o contágio do clima fílmico, toda a questão de "comunidade" está ali presente, pois todos estão com o mesmo objetivo. Não é nenhuma coincidência a semelhança com o contágio social, o senso de comunidade em uma igreja, de pessoas que estão para adorar a Deus.

Ainda, abaixo, trecho de uma matéria sobre Cinema, da revista "Sociologia", edição nº 02, da matéria "Por que os cinemas não morreram", da Editora Escala:

"Uma das poucas vantagens do cinema em relação ás demais mídias é o forte apelo da indústria cultural divulgando as estréias dos filmes, pois a indústria cultural trabalha constantemente com o novo

Ainda assim, as salas de cinema ainda são capazes de atrair as pessoas para desvendar o mistério de assistir um filme em grande écran, acompanhadas de desconhecidos que compartilham sentimentos e expectativas por um breve período de exibição de uma película.
Enfim, parece que as pessoas ainda precisam do clima místico do cinema e da partilha de sentimentos coletiva para sentirem-se como parte do mundo, por mais que este hoje pareça como tribalista". (itálico acrescentado).

IMPLICAÇÃO - Para quem está indo ao Cinema, estará também preenchendo ali também o seu senso de coletividade, ao "congregar" e partilhar do mesmo objetivo com outros indivíduos.


O AMBIENTE – ASPECTOS NEURO FISIOLÓGICOS:

Partindo do princípio que uma sala de cinema é projetada especialmente para dar um grande impacto emotivo, uma hiperestimulação sensorial, ser realmente algo especial e marcante para o espectador, podemos tirar algumas conclusões:


1) O SOM

No ambiente da sala do cinema o som proporciona ao espectador algo mais do que o envolvimento emocional de uma trilha Sonora. Geralmente é um som alto, surround e com intensidade acima de 90 decibéis, quando este é então percebido também como vibrações. Essas vibrações penetram no corpo influenciando diretamente nossos órgãos.
As ondas sonoras graves têm maior comprimento e podem penetrar em distâncias maiores. No labirinto (órgão do ouvido) existe um líquido que, quando se movimenta, empurra as células ciliadas para um lado ou outro.
Quando viramos a cabeça para um lado o líquido se movimenta e empurra os cílios das células receptoras para o outro lado, aumentando ou diminuindo o número de estímulos elétricos enviados pelo nervo ao sistema nervoso central. O sistema nervoso central é que decifra a quantidade de estímulos elétricos, compara com a posição do resto do corpo e dá a percepção de equilíbrio.
Se um som com 90 decibéis ou mais fizer com que o líquido do labirinto incline os cílios das células receptoras, o sistema nervoso vai decifrar isso como movimento e irá ajustar os músculos dos membros para equilibrar, podendo assim alterar o equilíbrio do corpo em meio à contemplação de um filme com tal volume de som, por exemplo.
As imagens projetadas nos olhos também influenciam o equilíbrio, pois o Cerebelo é que integra as informações oriundas dos olhos e aquelas oriundas do labirinto. Muitas vezes em um ambiente de cinema as informações vindas do labirinto e dos olhos são conflitantes e isso provoca também desequilíbrio.
Como os nervos que levam informações do labirinto para o cérebro são muito próximos do nervo Vago que leva e traz informações do sistema gastrointestinal, uma estimulação forte do nervo que sai do labirinto pode estimular o nervo Vago e produzir ânsia de vômito e até vômitos.
Enquanto houver estímulos sobre as células receptoras e o cérebro receber essas informações, esses fenômenos continuarão ocorrendo.


IMPLICAÇÃO - A intensidade do som de uma sala de cinema é além de 90 decibéis e aliado a um efeito surround, a noção de equilibro é em muito diminuída (o indivíduo fica “zonzo, tonto”) no transcorrer do filme, compromete em muito o seu estado de lucidez e seu senso critico, discernimento, neste ambiente.


2) HIPERESTÍMULO SENSORIAL

O indivíduo que assiste a um filme em uma sala de cinema está enormemente mais exposto a hiperestímulos sensoriais do que assistir a um filme em sua casa, pelos fatores anteriormente abordados e pelo que ainda será abordado mais a frente.
Quando escutamos, vemos algo, esta informação sonora e auditiva, estes estímulos sensoriais, são transformados em impulsos nervosos, sendo enviados ao córtex cerebral para serem interpretados e se tornarem ou não conscientes (segundo estudos, não mais que 20% do que vemos ou ouvimos vai para o consciente, o restante vai para o inconsciente humano e ali não se tem o controle de como irá atuar em todo corpo e mente).
Antes de chegarem ao córtex cerebral os estímulos chegam a uma “estação retransmissora” chamada Tálamo. No tálamo existem sinapses com várias partes do sistema nervoso:

a) Sistema Límbico, responsável pelas nossas emoções.
b) Hipotálamo, que controla:
b.1) Sistema nervoso autonômico, responsável pelo controle dos batimentos cardíacos, sudorese, pupilas, respiração, secreção de Adrenalina pela glândula suprarenal, etc.
b.2) Glândula Hipófise, responsável pelo controle dos hormônios e das várias outras glândulas do corpo;
c) Tronco Cerebral, onde é controlado o ciclo sono/vigília e o movimento e equilíbrio do corpo.

Assim sendo, os sons e imagens podem provocar variadas reações no organismo. Quando os estímulos chegam ao tálamo ele decide para onde vai enviar sinais nervosos e quais estruturas nervosas e hormonais vai acionar.
Por exemplo, filmes que contenham cenas de suspense, terror, guerra, mortes e outros similares, geram uma reação de estresse e o sistema nervoso autonômico é estimulado e prepara o organismo para Lutar ou Fugir (reação de fuga ou luta).

O corpo então é preparado para esforço físico forte e rápido:
Aumentam os níveis de glicose no sangue, o sangue é deslocado de regiões como cérebro, estômago e intestino para aumentar o fluxo sanguíneo nos músculos, ainda aumentam a freqüência respiratória e cardíaca, a velocidade de coagulação sanguínea, ocorre sudorese, a pupila fica dilatada, diminui o fluxo sanguíneo em outros órgãos como rins e sistema gastrointestinal, aumenta a liberação de Adrenalina, Noradrenalina e Cortisol na glândula suprarenal.

Esta situação deve ocorrer por pouco tempo, pois se perdurar por mais do que 15 ou 20 minutos, os efeitos do Cortisol fazem com que o sistema imunológico fique deprimido. Além disso, os efeitos da Adrenalina e Noradrenalina irão provocar aumento da pressão arterial e função renal prejudicada. Perceba que o indivíduo poderá ter todas estas reações estando estático, sentado em uma cadeira de uma sala de cinema.

É sugerida uma pergunta, um filme que gera tais sensações tem duração somente de 15 ou 20 minutos?
Vale lembrar que em qualquer tipo de filme existe suspense do “qual será a próxima cena”, embalada por trilhas sonoras e tomadas de câmera envolventes. Deve-se ter o discernimento do que, como e onde assistir, fatores decisivos que interferem na influência das películas em nossas mentes.

Além disso, quando o sistema límbico (responsável pelas emoções) é ativado, várias reações emocionais são acionadas, além de estimular a aquisição de dados na memória.
Uma vez que o hipotálamo seja estimulado, tanto o sistema límbico (emoções) e o sistema nervoso autonômico (batimentos cardíacos, respiração, secreção de adrenalina, etc.) quanto o sistema hormonal ficarão alterados. Quanto mais intensa for a entrada e quantidade de estímulos sensoriais mais estruturas nervosas serão estimuladas.

O centro do prazer é formado por estruturas do sistema límbico (das emoções) e é estimulado por neurotransmissores e/ou hormônios como:
Dopamina, Serotonina, Endorfinas, Noradrenalina e Adrenalina.
Quando esse centro do prazer é estimulado o individuo tende a repetir a experiência para produzir prazer novamente.

A superestimulação sensorial também produz aumento do nível desses receptores nas sinapses. Se esses neurotransmissores estimularem de maneira mais demorada (qual a duração de um filme?) o Centro do Prazer leva ao estado de Dependência - desejo de repetir a experiência - e à Tolerância - necessidade de uma dose maior para produzir o mesmo sentimento de prazer. A isto, chama-se Vício.
Embora tal mecanismo também ocorra em estímulos neurosensoriais recebidos de um filme em uma televisão, os efeitos em uma sala de cinema, é consideravelmente mais intenso, devido aos fatores abordados e a serem ainda expostos.

Outra conseqüência de filmes assistidos em salas de cinema é a “anestesia e atrofia” do que popularmente chamamos de “consciência”.
Um dos centros nervosos que recebem impulsos do hipotálamo e do ouvido é um núcleo denominado Locus Cerúleos. Este núcleo envia neurotransmissores para algumas partes do cérebro, entre elas está o córtex pré-frontal.
Quando ocorrer muita estimulação do Locus Cerúleos (como assistir a um filme no cinema) ele faz com que estímulos nervosos liberem Noradrenalina dos terminais dos nervos que chegam ao córtex pré-frontal.
A atuação de níveis altos de Noradrenalina no córtex pré-frontal atua como uma forma de anestesia das funções dessa região.

Por isso as funções de tomar as decisões corretas ficam prejudicadas, pois o córtex pré-frontal não consegue buscar informações armazenadas na memória e em outras regiões (como se a “base de dados” do que é certo e errado estivesse sendo bloqueada).
Assim, a razão, o domínio próprio, a consciência ficam afetados. Como a razão fica "anestesiada", as emoções dominam as ações. Como os hormônios foram liberados em maior quantidade pela estimulação do hipotálamo, o desejo sexual e qualquer outra função, fica fora do controle da razão, por exemplo.

IMPLICAÇÃO – Podemos enumerar as implicações em:
1) Assim como não temos mais domínio sobre a ação de um copo d água dentro do corpo depois que a ingerimos, não temos mais domínio próprio em uma informação visual e auditiva que percebemos, pois se transformaram em impulsos nervosos e tornou-se algo fisiológico e não há mais o domínio próprio sobre o efeito que terá no corpo do indivíduo.

2) Funções metabólicas, sistema imunológico, do corpo ficam prejudicados mediante a exposição a uma hiperestimulação do corpo em uma sessão de cinema (alteração de batimentos cardíacos, pressão arterial, sudorese, pupilas, respiração, secreção de neurotransmissores e hormônios, etc.).

3) A exposição a estes estímulos neurosensoriais intensos leva a um estado de:Dependência - desejo de repetir a experiência.
Tolerância - necessidade de uma dose maior para produzir o mesmo sentimento de prazer.
Tais fatores são popularmente chamados de vício.
Surge então a questão que o ato de freqüentar ao cinema não será mais um prazer suficiente para gratificar o mecanismo de recompensa do cérebro, pois este pedirá estímulos mais intensos.

4) Outra conseqüência é a que o espectador assíduo do cinema acaba por achar monótono tudo o que é abstrato ou estático (como a leitura de livros, revistas, que requer mais concentração e um cérebro mais treinado na abstração que é requerida na leitura), pois necessita desta sobrecarga sensorial para sentir-se vivo e gratificado.

5) O córtex pré-fontal e suas funções (consciência, a razão, discernimento, domínio próprio) ficam atrofiados e anestesiados pela atuação de níveis altos de Noradrenalina liberados pela estimulação do Locus Cerúleos. As funções de tomar as decisões corretas ficam prejudicadas e o indivíduo passar a tomar suas decisões baseados em aspectos emotivos e não racionais, em sua vida.


3) DIMENSÕES DA TELA DE CINEMA

Um dos grandes diferenciais entre assistir um filme em uma televisão e em uma sala de cinema, com certeza é a dimensão da tela.
Somente por tal comparação, deduz-se que a quantidade de informação e influência visual é muito mais intensa. Quantas televisões “cabem” em uma tela de cinema?
Ainda nesta comparação, a tela de cinema envolve a Visão Fóvica (central) e a Visão Periférica. Em uma televisão, certamente não engloba a visão fóvica e periférica ao mesmo tempo, por mais que as telas de plasma estejam maiores e quase sempre há interferência e distrações no ambiente (alguém se levanta, vai ao banheiro, cozinha, existem comentários entre os espectadores, etc.).

Indo para o campo fisiológico, explicar-se-á como ocorre a estimulação da retina e como isto chega ao Córtex Visual (SNC - Sistema Nervoso Central).
Campo receptivo é chamada a área da retina onde um estímulo luminoso (imagem) altera os fotoreceptores (cones e/ou bastonetes), provocando atividade dos neurônios da via visual (nervo óptico).
Na Fóvea (visão fóvica, central), que fica no centro da retina onde a acuidade visual é melhor, os campos receptivos são menores comparados aqueles da retina periférica (ou visão periférica).
Tais campos receptivos dos neurônios que recebem informações dos fotoreceptores são circulares. Esse campo receptivo circular é dividido num círculo central e num círculo periférico.
A área central desse círculo central (visão fóvica, central) é estimulada de forma antagônica a do círculo periférico (visão periférica), ou seja, se antagonizam mutuamente.
Quando estímulos visuais (imagens) atingem apenas a periferia de um campo receptivo, a estimulação dos neurônios é mínima. Porém, quando a imagem estimula a periferia e o centro de um campo receptivo, simultaneamente, então a estimulação das células nervosas é máxima e como conseqüência, muitíssimo mais informações visuais irão adentrar ao cérebro.

Possivelmente a exposição de um filme numa tela grande facilita a estimulação de uma maior área na retina, principalmente nas regiões laterais onde os campos receptivos dos neurônios são maiores. Lembramos que em uma sala de cinema, o indivíduo permanece estático, sem muitos movimentos de corpo e cabeça, por no mínimo 90 minutos.

Apenas para completar, existem vias nervosas separadas para levar até o córtex visual os diversos estímulos: uma para cor, outra para forma e profundidade da imagem e outra para movimento.
As informações visuais contidas numa imagem são primeiramente detectadas e analisadas por diferentes circuitos neurais, depois permitindo a síntese da informação para a percepção global no córtex visual.

IMPLICAÇÃO – Não existe “escape visual” ao estar em uma sessão de cinema. Por no mínimo 90 minutos o indivíduo estará exposto a uma estimulação máxima nas células receptoras da visão devido à dimensão da tela, por englobar visão fóvica e periférica, o que gera uma influência muito maior da mensagem filosófica do filme e seus efeitos fisiológicos na mente e corpo.


4) RESPOSTA PUPILOGRÁFICA

Outro fator em assistir um filme em uma sala de cinema é a dilatação da pupila: Midríase (nomenclatura fisiológica) ou Resposta Pupilográfica. A pupila é a porta de entrada dos estímulos luminosos (imagens), portanto quanto mais dilatada estiver, com maior abertura, mais estímulos neurosensoriais adentrarão com maior intensidade no organismo do indivíduo.

É bem conhecido que em um ambiente escuro a pupila se dilata mais para que entre mais luz (estímulos luminosos, imagens) e assim se tenha uma acuidade visual melhor. Obviamente, em uma sala de cinema não existe luz ambiente (o ambiente é projetado para ser escuro) e a tela não emite luz como uma TV, uma vez que as imagens do filme são projetadas sobre a tela, onde esta refletirá pouca luz.
Com isso, o ambiente tende a ficar mais escuro do que num ambiente onde um filme é assistido em uma TV e a abertura da pupila é maior, ou seja, mais estímulos neurosensoriais no cérebro.

Ainda, a pupila aumenta de tamanho, se “abre” frente a estímulos agradáveis (alguém vai a uma sala de cinema para assistir um filme que para si é “desagradável”?) e esta diminui de tamanho, “resiste”, se fecha, frente a estímulos desagradáveis.
Abordando tal ponto, toda experiência nova faz com que Adrenalina e Noradrenalina sejam liberadas e estimulam o centro do prazer.
Como os jovens estão mais interessados em experiências novas, pois em sua memória ainda não estão registrados os resultados dessas experiências e suas conseqüências, eles desfrutam de prazer por praticar atividades que liberem esses neurotransmissores.
Assim, situações novas ou desafiadoras, fazem com que o sistema nervoso autonômico Simpático libere Noradrenalina e Adrenalina e uma das ações dessas substâncias é a midríase (dilatação das pupilas). Como mencionado anteriormente, essa dilatação proporciona maior entrada de luz nos olhos e uma visão mais acurada e maior entrada de estímulos neurosensoriais.
Em situações de repouso quem comanda nossas atividades autonômicas é o sistema nervoso autonômico Parassimpático.
Entre suas funções estão:
Diminuição dos batimentos cardíacos, aumento dos movimentos gastrointestinais, miose (contração das pupilas), dilatação dos vasos sanguíneos dos órgãos internos, etc.

IMPLICAÇÃO – Podemos comparar quem sabe a pupila como um funil. Quanto maior for sua abertura, mais substâncias entrarão pelo orifício. A pupila é um “funil visual”, quanto maior abertura, mais informação, mais influência, mais conseqüências comportamentais e fisiológicas. O olho não passa somente de um sensor e cerca de ¼ do cérebro é dedicado à visão.


5) HIPNOSE

Todas as questões anteriormente abordadas somados à ”equação” Ambiente Escuro + Corpo Estático + Olhar fixamente por mais de 90 minutos para um único ponto de luz, sugere um estado de princípio de hipnose.
Na hipnose há a ausência de piscadas dos olhos e quanto menos piscamos, mas intensamente estamos no estágio de pré-hipnose. A hipnose ocorre quando nossa mente está sob controle de um comando externo e perdemos o controle voluntário. Isso pode ocorrer voluntariamente ou involuntariamente.
Quando o indivíduo se dispõe a fazer todo o ritual de ir ao cinema, ficar exposto a toda sorte de estímulos psicológicos, sociológicos e fisiológicos, a “entrar no filme” e participar dele com todas as influências já abordadas, contemplando fixamente tal produção de fabricar emoções, este indivíduo está se permitindo que as mensagens daquele filme dominem sua mente e suas emoções por um determinado espaço de tempo, se expõe a uma hipnose voluntária.

O simples fato de tais mensagens e filosofias dos filmes começarem a fazer parte da cultura e comportamento do indivíduo e predominarem em sua mente por meio da contemplação passiva destes, já pode ser considerado uma hipnose voluntária.

Ademais, o período de tempo que estes “valores hollywoodianos” irão permanecer na mente e comportamento do indivíduo, dependerá do quanto sua consciência interferirá neste processo (já abordamos anteriormente de como o córtex pré-frontal é “anestesiado” sob tais influências).

A avaliação do “certo e errado” das mensagens conscientes do filme ficará então muito prejudicada com a consciência “bloqueada, anestesiada” e não conseguindo avaliá-las na comparação com os padrões éticos e morais memorizados.
Além desses aspectos, as mensagens abaixo do limiar da consciência (subliminares) não estão disponíveis para avaliação e escolha do que seja certo ou errado.

Assim sendo, quanto mais cada indivíduo ficar exposto a todas as influências comentadas neste artigo e a menos padrões éticos, mais os conceitos enviados pelos filmes dominarão sobre os padrões estabelecidos.

IMPLICAÇÃO – Se você comentasse com um amigo que você iria se dirigir a uma reunião com indivíduos que jamais se encontrou antes, em um salão, auditório fechado, escuro, com um som alto que compromete seu equilíbrio do corpo, contemplando fixamente um único ponto de luz que envolve toda sua visão sem escape visual por 2 horas, com suas emoções em seu limiar, acolhendo mensagens, filosofias e roteiros cuidadosamente elaborados para gerar um estado de êxtase em você, o que esse amigo lhe diria a respeito disso?

Para reflexão:

“Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Salmo 101:2)

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” (Mateus 6:22)

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23)

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8)


Cristiano James Kleinert – Designer/Programador Visual
cjkdesign@hotmail.com

Referência bibliográfica:
- "Televisão Subliminar - Socializando através de comunicações despercebidas". Artmed - 1998, de Joan Ferrés (professor da Universidade de Barcelona, pesquisador e pedagogo especialista na área de Mídia)

- Revista "Sociologia", edição nº 02, da matéria "Por que os cinemas não morreram", Editora Escala.


Contribuições técnicas:
Prof. Dr. Hélio Pothin (professor de Fisiologia Humana da Universidade Federal de Santa Maria)
Prof. Dr. Eduardo Guillermo Castro (professor do Dpto. de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Moda que oprime!

Abordando o tema Moda, será que esta é somente algo para vestir, a indústria do belo, do sentir-se bem com determinada roupa que tenha bom caimento, ou algo mais está por detrás dessa indústria poderosa que movimenta e cria riquezas, padrões de consumo e comportamento, e até mesmo filosofias de vida?
Quem sabe, poderíamos aplicar aqui uma frase da estilista Mary Quant, uma das duas pessoas a quem se atribui a criação da mini-saia: “O bom gosto é a morte, a vulgaridade é a vida.”
Quem cria, sempre coloca um pouco de si em sua criação, sua ideologia de vida. Talvez devêssemos pensar mais no que estamos refletindo em nosso ser, em algo que “fala” por nós, sobre quem somos e a quem pertencemos – mesmo antes de pronunciarmos qualquer palavra –, que é o nosso modo de vestir, de nos mostrarmos ao mundo e às pessoas que nos cercam, de respeitarmos nosso corpo, de sermos, sim, indivíduos dignos de respeito e não meros objetos de cobiça e joguete nas mãos de uma indústria do consumo que consome a individualidade e a liberdade de se vestir.Existe uma frase do poeta britânico Oscar Wilde, que viveu no fim do século 19 e já naquela época dizia:
“A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses.”Acredito que muitos já pensaram ao assistirem mesmo que de relance desfiles de moda pela TV de modelos anoréxicos, de roupas criadas por estilistas famosos: “Que roupa horrível, quem vestiria tal coisa?” Talvez Wilde tivesse alguma razão em sua frase.
A indústria da moda (têxtil, de pigmentos e toda cadeia de fornecedores) precisa sobreviver, gerar consumo e para isso é acionado um aparato de marketing, criando de modo mecânico e capitalista toda uma sorte de “tendências”, desde cor, estilos e releituras de anos passados, por não ter mais o que se criar, diga-se assim. Pseudonecessidades são criadas nos indivíduos para se sentirem frustrados com o que já possuem e partirem num consumismo desenfreado para preencher seu vazio existencial artificialmente criado.Poderia ainda falar sobre onde os produtos de tais marcas poderosas são fabricados, geralmente às custas de mão-de-obra barata, e em alguns lugares, quase escrava.
Essas pessoas jamais poderão adquirir aquilo que elas mesmas, com suas mãos exploradas, produzem. Um triste fato.Muito se tem falado sobre diferenças de classes sociais. Mas pouco se tem falado sobre bens de consumo como os da moda, alavancados pela poderosa indústria da propaganda, advinda de pesadas pesquisas de comportamento do consumidor que pretendem buscar os vazios existenciais nos indivíduos e gerar neles a necessidade de preencher tal angústia e vazio, com coisas materiais, por meio de infindáveis estratégias de neuromarketing pelas grandes corporações industriais.Tais mensagens atingem o rico, que tem condições de comprar e exteriorizar a que classe social ele pertence.
Atingem também aquele que padece trabalhando para melhorar sua auto-estima e “subir” de classe social, mesmo que só na aparência. Porém, atinge também o que não tem condições de comprar, gerando frustração, baixa auto-estima, insatisfação e, por conseguinte, às vezes, a rebeldia contra um sistema que exclui, podendo fomentar o crime e o roubo para poder ter acesso a tais bens materiais.A indústria da moda escraviza a quem produz e quem se preocupa com ela, além de não permitir ser ‘diferente’, pelo sentimento de exclusão que transmite a quem não a acompanha. É apenas uma das pontas do cerco que está se formando, de não permitir que um grupo possa ser diferente.
Em minha experiência profissional no segmento da moda, trabalhando com os estilistas mais famosos do País, percebi que nenhum deles vestia o que era “tendência”. Não vestiam o que eles mesmos criavam para ser usado em grande escala por “soldadinhos de chumbo”, por uma simples razão: os estilistas não querem ser pessoas “comuns”!
Querem ter seu próprio estilo. Querem ser indivíduos livres para criar e ser o que bem quiserem.Acredito que, desse modo, os filhos de Deus também devessem ser “estilistas”, mas não seguindo uma tendência ditada por mentes humanas corruptíveis, e sim a tendência orientada por Jesus de olharmos os lírios do campo, que nem mesmo Salomão em sua glória conseguiu igualar; de não andarmos ansiosos pelo que havemos de vestir (Mt 6:28-34).
Devemos vestir o estilo dado e orientando por Deus no maior guia de beleza e de felicidade que Ele nos deixou, a Bíblia, Sua Santa Palavra.
Lembremo-nos do que Deus, que quer restaurar para sempre no ser humano a beleza e pureza originais, à Sua semelhança, nos revelou:
“Porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1Sm 16:7).

Novelas, o poder dos contos modernos

Muito se tem falado sobre a influência socializadora televisiva, mais especificamente das novelas, veiculadas em horários em que a família está “reunida”. Mas a pergunta é: Até que ponto esse tipo de programa tem influência em cada pessoa, de modo individual e em sociedade? É certo que o ser humano sempre teve em sua formação a necessidade de contar histórias. Na Grécia antiga, os mitos ensinavam “o que fazer e como se comportar”. A diferença nos dias atuais é que os mitos foram substituídos pelas telenovelas.A função dos contos antigos era a de emocionar, surpreender e apaixonar os espectadores, mais a função de modelar comportamentos. Nessas histórias mitológicas, as pessoas aprendiam quais eram as conseqüências das ações.Nos “contos atuais”, as telenovelas, há uma tentativa de uniformização do comportamento humano, sendo os enredos árduas ferramentas de manipulação, ligadas aos bens de consumo e aos valores morais.Em termos de consumo, roupas, sapatos, carros e outros bens divulgados no programa são comprados e usados como forma de afirmação pessoal. Novelas também ditam as regras de beleza: cor de cabelo, tonalidade do esmalte, maquiagem, etc. Ao adquirir determinado produto, o cidadão se sente parte da sociedade, dentro dos parâmetros desejados e impostos pelos programas e só pode adquirir aquilo que colocarem à venda.As telenovelas acabam por abordar a felicidade como um produto de consumo e o indivíduo acredita inconscientemente que somente conseguirá alcançar essa felicidade quando adquirir tal produto de determinada marca, para completar o vazio gerado por esses tipos de programas televisivos (de onde mais poderiam ser geradas tais "necessidades", senão naquilo que vemos ou ouvimos?).A adolescência é uma fase da vida em que a personalidade passa por intensas metamorfoses até atingir a fase adulta. Durante esse estágio, o ser humano é suscetível à influência alheia, principalmente a televisiva, sendo uma tentativa de se adaptar ao ambiente, aos valores difundidos pelas telenovelas e não por nossa própria vontade. Pessoas com problemas de identidade ou fragilidade em sua auto-estima são mais influenciadas pelos personagens ali representados.Quanto às crianças, se elas tiverem algum “lugar emocional vazio”, podendo ser de atividade, valor imaginário ou de criatividade, ele será preenchido pelo personagem, o que pode acarretar conflitos internos e até mesmo familiares.Quando o espaço da mãe ou do pai estiver vazio, qualquer pessoa próxima é capaz de preencher, já que o ser humano não suporta viver com essas lacunas. Novelas são relatos de pessoas que estão ali exclusivamente para comover o público, não sendo portanto um retrato exato da sociedade.As crianças representam um mercado de extrema importância para redes de TV e grandes empresas. São espectadores frágeis e vulneráveis à manipulação, alvos para um mercado ávido por lucros.É notável também que as novelas não se preocupam em dar bons exemplos de comportamento; essa obrigação é com certeza dos pais que precisam dar esse bom exemplo e não expor os filhos a maus exemplos nessa fase tão importante de aprendizado e formação do caráter e personalidade da criança.A fórmula de bem-sucedidas novelas não se expressa pelo que se repete e sim pelo diferente. Pode-se ainda relatar a credibilidade das novelas em que se expressa também em atores que representam vilões, quando chegam a ser vistos com apatia nas ruas pelos espectadores.Esses programas tentam passar os valores da sociedade baseados no que seria a perfeição do ser humano, com personagens bem-sucedidas, pessoas com poder, seja ele representado por dinheiro, beleza ou intelecto. São valores almejados pelas pessoas e podem interferir no comportamento se o indivíduo viver em função dessa conquista.Quando o indivíduo se identifica totalmente com a novela, não conseguindo diferenciar o real da fantasia, é um indicativo de que se encontra em um quadro de falta de modelos e referenciais adequados para sua vida. Esse indivíduo se encanta com a fantasia, que é a brincadeira do adulto, a idealização da realidade.Com a novela, pode-se sentir raiva, xingar, esbravejar, sem medo, pois se trata de uma “brincadeira”. Transportam-se para personagens de novelas problemas reais, que muitas vezes não estão claros em sua própria vida. Quando o telespectador se incomoda muito com determinado personagem, é porque ali existem grandes chances de estarem seus valores, defeitos ou problemas. São suas sombras, a tendência de procurar nas novelas personagens com os quais de identificam, que encontram mais afinidade com sua personalidade.Quão bom seria se dedicássemos nosso tempo, nossos sentidos, na busca do maior referencial de comportamento, formação de personalidade e caráter do qual dispomos, nas lições de uma vida plena de real felicidade deixadas por Jesus, apresentadas na Palavra de Deus, ansioso por ser o roteirista sua vida desde agora. Não sejamos espectadores em nossas vidas, mas atuantes com um coração voltado e entregue a Deus.

Consumindo-se

Na etimologia da palavra, “Consumismo”, provem de Consumir, CONSUMERE (latim). É usar, comer, estragar. Mas além deste significado em si, qual a origem da atitude de consumir?
Em cima disso, faremos algumas divagações sobre o assunto, de questões relacionadas à vida do cristão no que tange o consumismo em nossa sociedade atual.
Em linhas gerais, o consumo, fruto do esforço do trabalho humano, surgiu depois da queda, no Éden: “com o suor do teu rosto, comerás o teu pão”. O esforço humano já foi a moeda de troca inicial para se obter algo (no Jardim do Éden, tudo estava à mão, “de graça”, dado por Deus, no plano original). No começo, obviamente, não havia o dinheiro como moeda de troca. Havia sim, a troca de produtos, um proprietário de determinado produto trocando este pelo de outro proprietário. Essa troca é chamada de escambo.
Quem sabe ali, já tenha começado a dificuldade em o ser humano aceitar algo de graça, porque nada viria de graça para ele dali por diante, tudo teria um preço, algum esforço humano. Algo contrário à Salvação, a graça (onde nosso instinto é tentar “pagar” por ela).
Neste contexto de troca de produtos, originou-se já uma diferenciação de classes, uma vez que quem produzia mais ou possuía mais terras ou produtos, tinha mais poder de troca, a lei do quem pode mais, imperando o egoísmo ao invés da partilha das bênçãos com quem menos possuía.
Porém, Deus interferiu nesta sequência de desigualdades, conferindo lições importantes e interessantes, quando o povo de Israel adentrou na Canaã e foi feita a partilha de terras e toda sorte de leis mosaicas colocando todos em pé de igualdade, uma verdadeira “reforma agrária” orientada por Deus e que nos mostra, o quanto Deus quer que sejamos uma comunidade, na essência da palavra, comum a todos. O modelo de igualdade prosseguiu, quando Israel era governado por Juízes, algo diferenciado do modelo da época ao redor. Mas, não demorou muito, o povo de Deus desviou seus olhos do modelo apresentado por Ele e contemplou (note que se comparou, cobiçou) as nações vizinhas, seduziram-se pelos padrões seculares – exigiram um rei para sua nação.
Com o modelo secular implantado, começou a luta pelo poder, diferenciação de classes no povo de Deus, acúmulo de riquezas e impostos cada vez mais altos para sustentar todo aparato monárquico e a sedução que o poder traz para quem está no controle deste.
No reinado de Ezequias, aos visitantes de Babilônia, o rei lhes mostrou as riquezas do tesouro real, o ouro, e não a Verdade, o Deus vivo que transforma vidas pobres em ricas de esperança e regozijo no Altíssimo. A conseqüência disso, foi catastrófica, a destruição de Israel pela cobiça do império babilônico.
Quem sabe hoje, não tenhamos esta mesma tentação, de mostrarmos primeiramente aos “visitantes modernos”, a estrutura de nossa igreja, construções, a organização administrativa, e deixando de mostrar o que temos sim de melhor, sermos portadores de uma mensagem de esperança de uma vida nova e melhor, o descanso para as almas fatigadas errantes por este mundo.
Talvez seja o tempo de olharmos para trás e vermos que a igreja no tempo de Cristo estava totalmente “comercial e consumista”, baseada no status, na aparência, na venda de posições e cargos, e que o povo que Deus quer que sejamos, seja aquele que olha para os lírios do campo e que a maior prova de humildade, foi quando o Rei do Universo habitou entre nós nas mais simples condições e que nos quis passar tais lições eternas. Os discípulos de Jesus absorveram estes preciosos ensinamentos, quando disseminaram o Evangelho pelo mundo e o que os cristãos daquela época possuíam tudo em comum. Surge a pergunta, se os cristãos de hoje podem ser diferentes daqueles, nossos pais no cristianismo.
Indo um pouco mais adiante no nosso assunto, Consumismo, na Idade Média, na Europa, somente os reis tinham o direito de vestir-se com as melhores roupas, o que era proibido às outras classes sociais da época (com exceção ao poder eclesiástico dominante da época).
Porém, com o advento da Burguesia, estes tiveram poder de compra e também político, e começaram também a usar o tipo de roupa que a nobreza também vestia. Usavam roupas para imitar a nobreza, ou seja, lhes conferir na aparência exterior, algo que na realidade não eram.
E remetendo para os dias atuais, quem são estes “nobres” de hoje?
Poderiam ser muito bem, os famosos, os artistas, todos os “pré-fabricados” pelos meios de consumo e lançados pela mídia, para que sejam referenciais aos que tenham falta de uma referência maior de vida, sendo promotores de padrões de comportamento, roupas de moda, bens de consumo em geral, cortes de cabelo e toda uma sorte de tendências de CONSUMO, para fazer girar a roda gigante da cadeia de produção.
E assim, já que não se pode ser um destes ídolos, astros, estrelas, referencias, quem sabe vestindo-se, comportando-se, consumindo-se o que eles consomem (o que a mídia diz que eles consomem), o indivíduo com seu vazio existencial não se aproximará mais em uma projeção a estes modelos de vida tão falíveis e efêmeros?
Surge a pergunta: a quem queremos ser semelhantes?
A um mundo, com tendências voláteis e insatisfatórias ou semelhantes a um Deus que criou o ser humano à Sua imagem e semelhança. Há um Deus, ansioso em que busquemos a Ele como referencia de vida, hábitos e comportamento, pois só Deus sabe o que é melhor para cada um de Seus filhos.
Dentro do povo de Deus, é notável a “evolução” (nem tudo evolui para o melhor) de alguns padrões. Antes, o que era “escandoloso” em aparência visual, por exemplo, hoje em dia está “normal”.
Tal fenômeno, pode se explicar de que tudo o que é “novo” gera medo, incertezas. Mas quanto mais esse novo (que gera medo e é escandaloso) estiver sendo corriqueiro na vivência do membro da igreja, por meio de agentes e indivíduos disseminadores, mais vai quebrando paradigmas e implantando um novo padrão de comportamento.
Tal quebra de paradigma pode-se originar na contemplação de padrões seculares de vida (na TV, Internet, Filmes, etc, de modo exagerado) e ser um agente disseminador na comunidade religiosa destes novos padrões ou “embarcar na onda” de ser igual a esses padrões seculares, ao invés de ser um contraste, um contra-ponto ao que um mundo consumista e individualista propõe.
Prosseguindo pelo nossa viagem pelas veredas do Consumo, pode surgir uma pergunta:
- Porque compramos coisas, se temos tudo o que necessidades (abrigo, vestuário, alimento, locomoção, etc)?
Não estaríamos nós satisfeitos ou deveríamos estar, com o que temos e é já suficiente para nossas vidas?
Abordando tal questionamento, seria importante colocar que um dos principais objetivos do Marketing é GERAR SATISFAÇÃO!
Mas então, como gerar satisfação em pessoas que possuem o que é necessário e que já estariam satisfeitas com o que tem?
A reposta é simples e só uma:
É necessário lhes gerar INSATISFAÇÃO!

Mas como?

Fazendo as pessoas verem, assistirem, escutarem, através de toda uma sorte de artifícios psicológicos e de marketing, por meio da mídia, contemplar os novos referenciais de modelos de vida e de comportamento, que as façam sentir que “estão por fora”, bregas, desatualizadas, empacadas, feias, enfim, INSATISFEITAS e que precisam de outras coisas, além das necessárias.
Ou seja, deixaram se fitar seu olhar nos “lírios do campo”, no modelo ensinado de modo tão belo e poético pelo Maior Referencial de vida, Jesus.
Com os olhos voltados para outros objetos de contemplação, Novelas, Filmes, Propagandas, companhias indesejáveis, deixaram de ter o foco no Céu para terem o foco numa vida tão curta e que se dispersa ao vento.
Note o leitor que tal tipo de contemplação suscita muita vezes a transgressão do 10º mandamento (não cobiçarás...), onde este mandamento é uma salvaguarda aos apelos individualistas e tão passageiros deste mundo. O ouro deste mundo é o calçamento do Céu. Pelo contemplar se é transformado.
Como conseqüência, cristãos focados nas coisas deste mundo e não nas do Alto. Pessoas insatisfeitas, querendo sempre mais e portanto, impossibilitadas de partilhar o que têm – o alimento, a amizade, a compaixão pelo próximo e até mesmo a Verdade que Deus nos outorgou a partilhar, porque se está “ocupado demais” com outras preocupações, que demandam tempo e foco de vida.
Consumir é antagônico a Compartilhar. Consumir é ser um só, uma unidade, enquanto Compartilhar é ser uma Comunidade, ter o que possui, em comum com o próximo.
Infelizmente, tal estilo de vida, voraz, de consumir, entrou nos relacionamentos humanos. Cada vez mais, pessoas casam-se para “consumir um produto”, consumir o cônjuge, querem tão somente ser satisfeitas e cada vez menos, satisfazer, fazer o outro feliz. Quando o “produto não atende às necessidades” (pseudo necessidades), é descartado, vai-se em busca de outro que preencha a insatisfação gerada pelos padrões seculares que são contemplados.
Por fim, tudo isso seria trágico, depois de desenhado todo este panorama consumista, que nos pressiona a sermos o que não somos, se não fosse, Jesus Cristo.
O Filho de Deus PAGOU o preço da nossa culpa, com seu sangue numa cruz que era nossa e que lá disse: “Está consumado”.
Jesus, o Deus nascido homem em grande humildade, vivendo uma vida de abnegação, compartilhando vida, abraços, amparos, curas, mostrou-nos o caminho, a direção a seguir, o padrão de vida que traz a real satisfação que preenche por inteiro nossos anseios mais íntimos, plantados em nossos corações ao Ele nos ter criado para estarmos perto dEle.
Jesus, nosso verdadeiro referencial, pagou a entrada para irmos a um lugar muito especial e eterno, onde tudo será perfeito, puro, a vida eterna, no Céu.
Só nos basta aceitarmos, sem darmos nada terrenal em troca, Deus apenas quer o nosso coração, nossa atenção, afeições, nossos 5 sentidos voltados a Ele.
Faça essa troca, deixemos de fitar os olhos nas ilusões tão passageiras deste mundo. Os lírios do campo, a simplicidade de vida, estão ainda no mesmo lugar onde um dia, Jesus, o Deus que se fez homem, apontou e nos disse. Olhe para lá, junto com Ele.